Sou um apaixonado por fenômenos meteorológicos.
Chego a me encantar ao ver no céu a formação escura e densa de uma grande tempestade. Ou o olho de um furacão com as nuvens circulares - como a água caindo pelo ralo da pia - em uma imagem de satélite.
Aqui estou em condições privilegiadas de observação, pois não há obstáculos no horizonte oceânico. A única barreira é a limitação do olho nu.
O observador está sempre atento aos sinais visíveis das variáveis climáticas.
A intensidade do vento pode ser percebida de acordo com a quantidade de carneirinhos (ondinhas estourando e espumando) no mar infinito. Com o auxilio da biruta e do anemômetro podemos precisar a direção e a velocidade exata. 16, 21, 30, 35 nós. Norte, Sul, Leste, Oeste, ...
No entanto hoje está calmo. Nenhum carneirinho na água azul-esverdeada quase parada.
No norte o tempo está fechado. As nuvens se aproximam altas e pouco expessas. Vejo dois pontos de chuva que se destacam através da luz do sol que cai na direção noroeste-oeste.
O pôr-do-sol acontece atrás de pequenas nuvens alinhadas horizontalmente, dando um clima de mistério e deixando o cair da tarde ainda mais alaranjado.
O mar naquela direção tem uma linha escura no horizonte, como se quisesse evidenciar onde termina o oceano e começa o céu.
O reflexo na água é dourado brilhante, seccionado pela pequena ondulação existente.
Um dorso aparece no meio da paisagem deserta. Sem demora surge uma espuma provocada pelo salto exibicionista de uma baleia.
O momento se eterniza...