quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sou um apaixonado por fenômenos meteorológicos.
Chego a me encantar ao ver no céu a formação escura e densa de uma grande tempestade. Ou o olho de um furacão com as nuvens circulares - como a água caindo pelo ralo da pia - em uma imagem de satélite.
Aqui estou em condições privilegiadas de observação, pois não há obstáculos no horizonte oceânico. A única barreira é a limitação do olho nu.
O observador está sempre atento aos sinais visíveis das variáveis climáticas.
A intensidade do vento pode ser percebida de acordo com a quantidade de carneirinhos (ondinhas estourando e espumando) no mar infinito. Com o auxilio da biruta e do anemômetro podemos precisar a direção e a velocidade exata. 16, 21, 30, 35 nós. Norte, Sul, Leste, Oeste, ...
No entanto hoje está calmo. Nenhum carneirinho na água azul-esverdeada quase parada.
No norte o tempo está fechado. As nuvens se aproximam altas e pouco expessas. Vejo dois pontos de chuva que se destacam através da luz do sol que cai na direção noroeste-oeste.
O pôr-do-sol acontece atrás de pequenas nuvens alinhadas horizontalmente, dando um clima de mistério e deixando o cair da tarde ainda mais alaranjado.
O mar naquela direção tem uma linha escura no horizonte, como se quisesse evidenciar onde termina o oceano e começa o céu.
O reflexo na água é dourado brilhante, seccionado pela pequena ondulação existente.
Um dorso aparece no meio da paisagem deserta. Sem demora surge uma espuma provocada pelo salto exibicionista de uma baleia.
O momento se eterniza...

domingo, 29 de novembro de 2009

Ética = compromisso que assumo com a felicidade do outro.
Felicidade = estado de espírito de paz.
Paz = tranquilidade interior de onde emerge espiritualidade.
Espiritualidade = atitude ética.

Idéia? Utopia.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Hoje é um dia daqueles.
Sabe quando se anda sem rumo, sem prumo? É assim...
Estou como um náufrago, sem colete salva-vidas, sendo levado pelo mar agitado.
Tendo que lutar para me manter na superfície: respirando, vivendo.
Eis que uma cena acalenta o meu estado de espírito.
Ahh as tartarugas... como são tranquilas.
Meus olhos se fixaram naquela bixa de mais ou menos 1000mm de diâmetro, talvez mais. Sem exagero nenhum.
Lá estava ela passeando na imensidão do mar azul incandescente.
A superfície transparente permitia enchergar os mergulhos e a dança junto a um cardume de douraros.
Inabalável, aquela tartaruga nadava sem pressa nem movimentos bruscos. E eu invejando.
Imaginando o quanto ela deve demorar pra chegar aos lugares, às praias. Só não pensava que possívelmente estava nadando sem destino. Ou seguindo o movimento das correntes para chegar a um lugar ainda melhor.
Em sua imensa sabedoria adquirida em uma porção de dezenas de anos de vida essa tartaruga já deve ter experienciado coisas maravilhosas.
Sempre com a mesma calma e paciência.
Tenho facilidade e gosto por aprender coisas através da simples observação.
Espero guardar estes ensinamentos por longos e longos anos.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

As estrelas sumiram.
Já fazem 2 dias e noites que não as vejo.
Meu céu está vazio e apagado. Onde está a luz?
Meu universo está em crise.
Há poucos dias eram tantas as estrelasguia, os meteoroscadentes.
Percebo que um nevoeiro envolve a atmosfera prejudicando a trans-lucidez do contato visual.
Fica somente a memória. Da noite linda do céu iluminado.
Que saudade! Porém essa situação me faz experienciar o diferente.
Tiro dele o que tem de bom e continuo a viver o amanhã.
As estrelas ficam na lembrança... e na certeza(...) de que mesmo fora do meu olhar elas continuam lá.

sábado, 3 de outubro de 2009

Meu estômago deu um nó.
É noite e aqui fora o vento sopra a 15 nós. Nada demais, visto que ultimamente a mínima estava em torno dos 21.
Debruçado sobre o guardacorpo observo as nuvens que passam baixas e alaranjam o céu por detrás. No horizonte vejo pequenas cidades, sociedades encarceradas. São velas que iluminam a escuridão de um futuro incerto. Isso não sai da minha cabeça.
Ao longe escuto um barulho de motor, meus ouvidos já acostumaram. Este retumba com uma energia diferente dos demais.
Olho à procura...
Meu Deus! Sempre que os vejo fico admirado. Parecem personagens - heróis de filmes de sofrimento. Me pergunto: como chegaram até aqui num barco deste tamanho? 25, 29 pés de limitação, sendo sacudidos pelo suel curto e alto.
Não param. Nem dá pra parar. Ou será que conseguem dormir?
Só sei que são guerreiros do mar. Passam dias e noites no campo de batalha. Com suas armas, valentemente, lutam por suas famílias e sua dignidade.
E eu o que faço? Observo... Analiso...
Vou dormir com esperança no futuro.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Verde mamão... passado... esta era a cor do oceano hoje. Aquela cor apagada que se distribui por todos os lados nos deixando com calafríos claustrofóbicos, sabe?
De cá não tenho como fugir mesmo. O impulso me faz querer explodir e sair deste confinamento de mim mesmo.
O espaço é limitado. A angústia quer atravessar as grades. O corpo treme de ansiedade. Tudo é insuficiente. Até que os olhos vêem além. Sempre eles... no mar.
Sabe aqueles dias que a gente consegue ver o exato ponto, ou melhor, a linha que divide o mar em duas cores? É como a água e o óleo, porém os dois com densidades iguais. Lado a lado se chocando sem se misturar numa dança harmônica. Porém lutam pelo domínio da imensidão do horizonte.
Do outro lado está o azul. Este fluorescente encanta aos olhos e hipnotiza os ânimos. Cura a angústia.
Que bom que há neste mar uma gota de lucidez, clareza, transparência, perfeição. Nele até os peixes nadam mais tranquilamente.
Me pergunto: seria diferente se Netuno tivesse sempre nesse humor?
Sem resposta, vou ficando experiente neste lugar esquisofrênico.

domingo, 27 de setembro de 2009

A vida é multifacetada. Assim como um oceano é cada gota d'água eu sou cada situação vivida, experienciada.
Por vezes, o saudisismo que me faz viajar para trás - o apêgo - é como a distração a contar carneirinhos no mar à vista. A cegueira resistente impedindo de erguer a cabeça e olhar e ver o horizonte e além, as possibilidades, o futuro que nos aguarda com os braços abertos.
Ah! Que vontade de mergulhar.
Olhando perto o mar é azul florescente, convidativo, simples, ao alcance da imediata realização. Ao redor, ao longe, o azul escuro da incerteza, da renúncia e da busca. Lá em algum lugar estão os sonhos e são eles que completam a vida.
Se o amanhã será o reflexo dos meus atos hoje sento e espero. Só espero... Que a espera não me devore!

sábado, 23 de maio de 2009

Perdido na Lagoa Azul

Há lugares em que as vezes não tenho como fugir. Me sinto prisioneiro numa ilha deserta somente com o horizonte reto - horizontal - do oceano à minha frente.
Na ilha encontro belas paisagens. Às contemplo apenas com o exercício da lembrança.
Os olhos fecham e rapidamente viajo, me transporto, me refugío. Meus olhos se abrem...
O ambiente é envolvido por ares de mistério. A audácia me encoraja a desvendar, desbravar. O receio do desconhecido não me deixa ir profundo.
Sem me arriscar permaneço na praia, no raso.
A coragem é a virtude do sucesso... será que eu estou destinado ao fracasso? Será a praia um fracasso? Ou os limites psicológicos nela existentes?
Sei que mesmo sem conseguir me libertar sigo buscando algum limear que me leve para além...
Mar.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Que a vida dá muitas voltas até eu já sei. O que talvez não saiba ainda é que a cada volta sou levado a novos (ou velhos) pontos de partidas. Portos conhecidos ou portos totalmente novos para mim.
Neste ciclo de idas e vindas chego a lugares comuns e a mundos imaginários. Sou o tripulante reto e o pirata transgressor. À deriva no interior de mim mesmo.
A procura por virgindade e pureza e a ganância por tesouros perdidos são os ventos que sopram minhas velas mar adentro.
Nada me cerca no horizonte senão o oceano infinito. Me resta nesse caminho gozar o prazer de navegar.

"Navegar é preciso, viver não é preciso." (F.P.)