sábado, 3 de outubro de 2009

Meu estômago deu um nó.
É noite e aqui fora o vento sopra a 15 nós. Nada demais, visto que ultimamente a mínima estava em torno dos 21.
Debruçado sobre o guardacorpo observo as nuvens que passam baixas e alaranjam o céu por detrás. No horizonte vejo pequenas cidades, sociedades encarceradas. São velas que iluminam a escuridão de um futuro incerto. Isso não sai da minha cabeça.
Ao longe escuto um barulho de motor, meus ouvidos já acostumaram. Este retumba com uma energia diferente dos demais.
Olho à procura...
Meu Deus! Sempre que os vejo fico admirado. Parecem personagens - heróis de filmes de sofrimento. Me pergunto: como chegaram até aqui num barco deste tamanho? 25, 29 pés de limitação, sendo sacudidos pelo suel curto e alto.
Não param. Nem dá pra parar. Ou será que conseguem dormir?
Só sei que são guerreiros do mar. Passam dias e noites no campo de batalha. Com suas armas, valentemente, lutam por suas famílias e sua dignidade.
E eu o que faço? Observo... Analiso...
Vou dormir com esperança no futuro.

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