Verde mamão... passado... esta era a cor do oceano hoje. Aquela cor apagada que se distribui por todos os lados nos deixando com calafríos claustrofóbicos, sabe?
De cá não tenho como fugir mesmo. O impulso me faz querer explodir e sair deste confinamento de mim mesmo.
O espaço é limitado. A angústia quer atravessar as grades. O corpo treme de ansiedade. Tudo é insuficiente. Até que os olhos vêem além. Sempre eles... no mar.
Sabe aqueles dias que a gente consegue ver o exato ponto, ou melhor, a linha que divide o mar em duas cores? É como a água e o óleo, porém os dois com densidades iguais. Lado a lado se chocando sem se misturar numa dança harmônica. Porém lutam pelo domínio da imensidão do horizonte.
Do outro lado está o azul. Este fluorescente encanta aos olhos e hipnotiza os ânimos. Cura a angústia.
Que bom que há neste mar uma gota de lucidez, clareza, transparência, perfeição. Nele até os peixes nadam mais tranquilamente.
Me pergunto: seria diferente se Netuno tivesse sempre nesse humor?
Sem resposta, vou ficando experiente neste lugar esquisofrênico.
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