Tenho olhado pouco para o mar.
O tempo passou e me acostumei. Isso é ruim? Provável.
Já não vejo a mesma beleza encantadora, hipnotizadora - ditadora da direção do meu olhar.
Ultimamente minha concentração se volta para o casco, como se ele fosse uma barreira física impenetrável. Na verdade acho que a barreira é simbólica. Afinal, o que me impede de me debruçar sobre a balaustrada para admirar toda a vida existente sob meus pés?
Talvez meu ego esteja reprimindo esse prazer do espetáculo visível e outrora admirado. Prazer inadequado para o momento e o lugar em que me encontro atualmente.
Hoje andando por aí uma janela se abriu na minha frente e o azul infinito invadiu meu olhar sem pedir permissão.
Me senti impotente. Porém... renovado.
Fiquei confuso e percebi que meu foco está embaçado. Contraditório, não? Mas é isso mesmo o que acontece. Quando o alvo está claro e o olhar anda descalibrado o foco embaça.
Estou precisando de alguns consertos, apertos, revisões...
O que precisa ser consertado, apertado e revisado?
Essa é minha busca constante.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
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