sábado, 24 de novembro de 2012

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo e esquecer os caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia; e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos." (Autor Desconhecido)

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Difícil prever as coisas...
Admiro aqueles que conseguem, na análise do olhar, fazer previsões de acontecimentos pra daqui cinco minutos, uma hora, alguns dias, meses ou décadas.
Há quem faça disso uma ciência, através do estudo das estatísticas e probabilidades. É o caso daqueles que fazem a nossa tão famigerada Previsão do Tempo.
Porém minha admiração caminha no sentido destes que servem-se da intuição e dos sentimentos. Algo quase místico e espiritual, eu diria.
Logo eu! Que venho há muito defendendo as idéias da razão, me vejo diante de mais uma contradição comigo próprio.
Acho que estou vivendo uma fase de metamorfoses... Minhas escolhas estão vindo de dentro, quase como revelações sendo dadas a mim por mim mesmo.
As coisas estão acontecendo na minha vida e tudo o que quero é ser protagonista. Sendo assim entendi que o melhor caminho é ouvir o que tenho a dizer.
A grande questão é... E o futuro como será?
Tudo o que sei é que continuarei admirando esta incrível capacidade que alguns têm de prever as coisas.
Tudo em ti era uma ausência que se demorava:
Uma despedida pronta a cumprir-se.

Cecília Meireles
Pra que
Sofrer com despedida?
Se quem parte não leva
Nem o sol, nem as trevas
E quem fica não se esquece
Tudo o que sonhou, eu sei
Tudo é tão simples que cabe
Num cartão postal
E se a história é de amor
Não acaba tão mal

O adeus traz a esperança escondida

Pra que sofrer com despedida?
Se só vai quem chegou
E quem vem vai partir
Você sofre, se lamenta, depois vai dormir

Sabe

Alguém quando parte
É porque outro alguém vai chegar
Num raio de lua, na esquina, no vento ou no mar
O adeus traz a esperança escondida
Pra quê?

Sabe

Alguém quando parte
É porque outro alguém vai chegar
Num raio de lua, na esquina, no vento ou no mar
Pra que querer ensinar a vida?
Pra que sofrer?


Rita Lee

quarta-feira, 28 de março de 2012

Meu gesto que destrói
A mole das formigas,
Tomá-lo-ão elas por de um ser divino;
Mas eu não sou divino para mim.

Assim talvez os deuses
Para si o não sejam,
E só de serem do que nós maiores
Tirem o serem deuses para nós.

Seja qual for o certo,
Mesmo para com esses
Que cremos serem deuses, não sejamos
Inteiros numa fé talvez sem causa.

Ricardo Reis (meu preferido)

quinta-feira, 8 de março de 2012

Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

F.P.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Tenho olhado pouco para o mar.
O tempo passou e me acostumei. Isso é ruim? Provável.
Já não vejo a mesma beleza encantadora, hipnotizadora - ditadora da direção do meu olhar.
Ultimamente minha concentração se volta para o casco, como se ele fosse uma barreira física impenetrável. Na verdade acho que a barreira é simbólica. Afinal, o que me impede de me debruçar sobre a balaustrada para admirar toda a vida existente sob meus pés?
Talvez meu ego esteja reprimindo esse prazer do espetáculo visível e outrora admirado. Prazer inadequado para o momento e o lugar em que me encontro atualmente.
Hoje andando por aí uma janela se abriu na minha frente e o azul infinito invadiu meu olhar sem pedir permissão.
Me senti impotente. Porém... renovado.
Fiquei confuso e percebi que meu foco está embaçado. Contraditório, não? Mas é isso mesmo o que acontece. Quando o alvo está claro e o olhar anda descalibrado o foco embaça.
Estou precisando de alguns consertos, apertos, revisões...
O que precisa ser consertado, apertado e revisado?

Essa é minha busca constante.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

"Quanto mais claro
Vejo em mim, mais escuro é o que vejo.
Quanto mais compreendo
Menos me sinto compreendido. Ó horror
paradoxal deste pensar..."

F.P.
O que falar? Se eu não sei direito nem o que pensar...